sexta-feira, 4 de março de 2011

MEC propõe mudanças em currículo escolar


Com o próposito de tornar a escola mais atraente para os jovens, segundo matéria de Fabiana Rewald para a Folha de São Paulo, o MEC está propondo uma significativa alteração no currículo para tornar a ecola mais atraente para os jovens. A proposta chega com alguns anos de atraso - mas antes tarde do que nunca - pois os dados são alarmantes - metade dos jovens entre 15 e 17 anos está fora da escola. Se atentarmos para a pesquisa do CENPEC, constataremos a veracidade da informação da repórter e poderemos concluir que a situação tende a piorar conforme aumenta a faixa etária dos jovens.

A grade de disciplinas do ensino médio, além de ser um numero muito grande, é totalmente descontextualizada da realidade. Os conteúdos são focados muito mais preocupados em prepar os alunos para os vestibulares do que propriamente dito para o mundo real, do cotidiano, ou seja, despertam pouco, ou quase nenhum interesse dos jovens. Para complementar estas informações, relato aqui a experiência vivenciada pelos educadores do Programa Jovens Urbanos em seu primeiro dia de atividades com a nova turma: Ao dispor as cadeiras em círculos, de modo que os jovens participantes possam se apresentar e assim se conhecerem um aos outros, um dos jovens pede a palavra, e pergunta se "as aulas" serão sempre com esta configuração de cadeiras. Certamente o educador responde que sim, e argumenta o fato de que nesse formato, nós podemos olhar um nos olhos dos outros, e assim trocarmos informações e saberes, e ao longo do período vamos estabelecendo conexões por áreas de interesses. Em resposta o jovem responde: " ...Que legal. Estudo a onze anos, e lá na escola eu nunca sentei desse jeito (formato) com os meus colegas. Os professores nunca permitiram que a gente se sentasse em círculo.

Já foram implantadas mudançasm e em 357 escolas do país, estão sendo aplicados o ensino Médio Inovador, e pelo que se lê na matéria, as ações são semelhantes a experiência adotada na 6ª edição do Programa Jovens Urbanos. Criado e financiado pelo Ministério da Educação, o programa se norteia em quatro(4) eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura. Cada escola elabora o seu plano pedagógico e pode eleger um deles para ser o carro chefe do curso, misturando as demais em atividades complementares que podem ser praticadas inclusive fora da sala de aula, ou até mesmo criarem dinâmicas onde os jovens possam se sentar em círculo - assim esperamos.

Claro que somente o curriculo invador não fará a transformação desejavável. E necessário também re-orientar os professores, para estas novas possibilidades, e não somente isso, mas também melhorar as condições de salário e carga horária, além da necessidade de investimento em infraestrutura, pois as escolas ainda se parecem muito como espaço de reclusão, onde tudo-nada pode, e todo o poder permanece centrado na figura do diretor que manda e desmanda, sem nenhuma perspicácia, ou ao menos, gesto de ouvir os jovens e tratá-los com pessoas, indíviduos e futuros cidadãos que olham para o mundo atual com outros interesses, muito diferente dos professores e diretores. A midia é presente em seu cotidiano, seja no aparelho celular, na internet, na TV, na música, download, etc.etc. Já o mesmo não ocorre com os professores e diretores - na maioria das vezes semi analfabetos digitais. Essa diferença quando constada pelo joven, cria uma zona de desconforto brutal entre aluno professor. E a falta de interesse pelo aluno é latente.
Antonio Carlos Pedro
designer - gestor cultural

quinta-feira, 3 de março de 2011

Primeiros contatos

Essa etapa inicial do Programa Jovens Urbanos aqui em São Miguel, tem sido desafiadora e estimulante. Por mais que ainda não tenhamos atingido os 60 jovens esperados, conhecemos um pouco desses jovens durante o processo de inscrição, aguardamos ansiosamente os proximos selecionados.
Pois, já me sinto partilhando seus planos e expectativas. Observando as dificuldades sociais e aquelas próprias da fase da adolescência, me sensibilizo. Me vejo alguns anos atrás.
Com certeza a maior lição da vida é a superação, é conseguir enxergar "colorido" na escuridão. Se depender da gente, estamos dispostos a transpor juntos com esses jovens as barreiras e fronteiras em seus caminhos.
"É nóis".

quarta-feira, 2 de março de 2011

Trajetória Adesão.

Trajetória Adesão.

Momento privilegiado de apresentação do PJU. Permite ao jovem conhecer e se comprometer com as ações futuras a serem experienciadas. Por meio da proposição de ações formativas os jovens podem vivenciar ativamente as mais importantes idéias e práticas dos Jovens Urbanos. Foca-se nessa trajetória a exploração do distrito de moradia dos jovens.

A apresentação Pública do Programa Jovens Urbanos 6ª edição, foi iniciada com uma performance de Cesar Negro – ator e consultor tecnológico do Cenpec. Neste momento os duzentos e quarenta (240) jovens das quatro (4) ONG´s foram acolhidos no auditório da Universidade Cruzeiro do Sul. A seguir receberam as boas vindas do Prof. Dr. Renato Padovese – Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, da Sra. Maria Alice Setúbal, Presidente do Conselho do Centro de Estudos e Pesquisa em Educação, Cultura e Ação Comunitária – CENPEC, e finalizando a Sra. Anna Carolina da Fundação Itaú Social – responsável pela iniciativa do Programa Jovens Urbanos .

Na segunda parte da programação os jovens tomaram contato com a metodologia e as ações previstas nos quatro eixos temáticos a serem desenvolvidos no decorrer dos quatorze (14) meses. Dessa maneira manifestaram-se publicamente o desejo de participarem do Programa Jovens Urbanos , e também receberam orientações do servidor da Secretaria Municipal do Trabalho sobre a bolsa trabalho - beneficio concedido aos jovens que obtiverem a freqüência de 85% das atividades previstas no programa. As atividades foram encerradas com projeção do vídeo institucional do Programa Jovens Urbanos, com imagens e depoimentos dos jovens participantes das edições anteriores, e na saída todos receberam as publicações Catraca Livre e Cadernos do CENPEC de Cultura e Juventude.

Nesta etapa inicial a qual chamamos Trajetória Adesão é destinada a buscar caminhos possíveis entre os jovens, se estabelece um plano participativo, a instalação do Comitê Consultivo, é revisitada a carta do jovem de adesão ao Programa Jovens Urbanos , as cartografias do grupo e da juventude na cidade, focando a educação, o mundo do trabalho, hábitos, e também a cartografia do distrito e a respectivas contextualizações.

Estas ações são realizadas com dinâmicas de grupo, e temáticas que representem o seus interesses sobre conteúdos formativos futuro, de modo apresentar aos jovens as propostas do Jovens Urbanos , de forma que a sua adesão seja uma escolha qualificada, consciente e autônoma. As circulações conforme o planejamento de trabalho descrito logo abaixo permite que os jovens se apropriem dos espaços urbanos - em primeiro plano a rua, o quarteirão, o bairro – assim vão tomando contato com os bens materiais e simbólicos a sua volta.

Plano de trabalho – Trajetória Adesão

As atividades com o grupo de jovens sob a coordenação do IBRADESC serão sempre nas terças, quartas e quintas feiras, e foram iniciadas no dia 24 de fevereiro, um dia após a emissão da lista de sorteados pelo sistema do programa. Isto se deve ao fato de ajustes da organização e disponibilidade da sala na Universidade Cruzeiro do Sul.

24/02/2011

Acolhida; Apresentação do programa – expectativa dos jovens e elaboração do contrato de convivência no espaço. Projeção do f

ilme CENPEC com objetivo de estimular a circulação do grupo.

01/03/2011

Circulação - Registro da caminhada (Anotações, fotos e desenhos); Os jovens circularam pelo bairro em aos arredores da Universid

ade Cruzeiro do sul; pelo bairro de São Miguel na Praça Pe. Aleixo Monteiro Mafra – conhecida como Praça do Forró e visitaram a Capela de São Miguel Arcanjo, construída pelos indígenas sob jugo dos jesuítas. O objetivo é estabelecer comparativos e contrastes entre os bairros visitados.


02/03/2011

Apresentação pública Programa Jovens Urbanos

03/03/2011

Iniciar discussão sob

re o conceito "Urbano e rural"; Juventude e culturas urbanas (Novas tendências e mundo do trabalho); Registro (Anotações e desenhos); Projeção do Documentário: Botinada. O filme retrata a origem do Movimento Punk no Brasil – 2006m 110 min. – Direção de Gastão Moreira.

08/03/2011

Carnaval

09/03/2011

Quarta feira de cinzas

10/03/2011

Circulação - Registro da caminhada (Anotações, fotos e desenhos); Segunda circulação, agora pelo parque Ecológico do Tietê; Observar e fomentar a preservação ambiental da Região;

15/03/2011

Iniciar discussão sobre o sobre pontos chaves de meio ambiente nas zonas urbanas; Registro (Anotações, desenhos); filmetes de curta duração sobre o Parque Ecológico e sua história, fonte de pesquisa sitio do parque - http://www.ecotiete.com.br

16/03/2011

Iniciar discussão sobre os diversos esportes urbanos: Futebol de Várzea, de salão e de rua; basquete de rua [Streetball]; Vôlei de rua; capoeira, etc.; Discussão sobre o porquê do nome “Várzea”; Registro (Anotações, desenhos); Vídeo: O jogador (Edvaldo Santana).

17/03/2011

Circulação; Registro da caminhada (Anotações, fotos e desenhos); Terceira circulação pelo campo do Jardim Lapenna; Entrevistar jogadores e moradores - antigos e novos - e sua relação com o esporte; Visita a outras modalidades de es

portes urbanos;

22/03/2011

Elaboração e exposição do tudo que foi desenvolvido até o momento; Formação de grupos de trabalho e ajudá-los na elabora

ção da exposição; Visualizar a exposição; material pedagógico: Cartolinas, Papel Kraft, Pincel atômico, Fotografias, textos e desenhos dos alunos;

23/03/2011

Apresentação das questões ambientais e suas lideranças; Discussão sobre a história de Chico Mendes (Sua luta e trajetória); Co

ntextualização partidária (Apresentar e contextualizar os partidos que Chico Mendes participou da fundação participou [PT e PV]); Registro (Anotações, desenhos); Vídeo: Trajetórias de Chico Mentes pesquisa na internet

24/03/2011

Circulação - Registro da caminhada (Anotações, fotos e desenhos); Quarta Circulação pelo Parque Chico Mendes; Exploração do local (História, fundação e atividades); Retomar ao Personagem que dá nome ao Parque;

29/03/2011

Introdução à cartografia; Contextualização, amplo debate e apropriação da cartografia já realizada; Elaboração e exposição de mapas de todos os locais visitados até o momento; Material pedagógico: Cartolinas, Papel Kraft, Pincel atômico, Fotografias, textos e desenhos dos alunos; fotos de satélite dos locais visitados pesquisa: Google Mapas.

30/03/2011

Circulação - Registro da caminhada (Anotações, fotos e desenhos); Quinta circulação pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE - Formação do olhar dos jovens para as diversas maneiras como a cidade, seu interior e exterior são cartografados;

31/03/2011

Comparativo entre a cartografia realizada pelos jovens e a cartografia observada no IBGE - Realização de Dinâmica: Estatística elaborada pelos próprios jovens; com temas elaborados por eles próprios; Pesquisas realizadas pelo IBGE como guia para as pesquisas a serem realizadas pelos jovens;

05/04/2011

Juventude e Violência - Realização de uma Cartografia elaborada pelos próprios jovens [com dados oficiais e outros pesquisados por eles]; Texto de apoio: Mapa da Violência 2011 - Os Jovens do Brasil (Júlio Jacobo Waiselfisz); - Debate sobre o que gera violência.

06/04/2011

Circulação - Registro da caminhada (Anotações, fotos e desenhos); Sexta circulação pela região da Consolação (e arredores) - Formação do olhar dos jovens para as diversas realidades da cidade.

07/04/2011

Comparativo entre regiões periféricas e nobres da cidade, comparativos com as circulações anteriores. Vídeo: Ilha das flores Direção de Jorge Furtado - curta metragem.

12/04/2011

A cidade e sua arte - Como os jovens vêem arte na cidade? – Exposição das diversas formas de arte - digitais e impressas na cidade. Power Point: Trajetória da Arte Brasileira, Juan Miró e Cores na Provença

13/04/2011

Circulação - Registro da caminhada (Anotações, fotos e desenhos); Sétima circulação: circuito da Avenida Paulista – observação das obras de arte e arquitetura da cidade. Visita ao Itaú Cultural.

14/04/2011

Retornar ao tema anterior [A cidade e sua arte] - Debate sobre como eles absorveram as diversas obras de arte observadas em sala em contraste com as obras de artes observadas na galeria visitada, e nas demais encontradas pela trajetória até o Itaú Cultural. Projeção do documentário: A Arte Urbana.

Educadores: Pedro Rafael e Rogério Novaes

Coordenação: Antonio Carlos Pedro

MEC propõe mudanças em currículo escolar


Com o próposito de tornar a escola mais atraente para os jovens, segundo matéria de Fabiana Rewald para a Folha de São Paulo, o MEC está propondo uma significativa alteração no currículo para tornar a ecola mais atraente para os jovens. A proposta chega com alguns anos de atraso - mas antes tarde do que nunca - pois os dados são alarmantes - metade dos jovens entre 15 e 17 anos está fora da escola. Se atentarmos para a pesquisa do CENPEC, constataremos a veracidade da informação da repórter e poderemos concluir que a situação tende a piorar conforme aumenta a faixa etária dos jovens.

A grade de disciplinas do ensino médio, além de ser um numero muito grande, é totalmente descontextualizada da realidade. Os conteúdos são focados muito mais preocupados em prepar os alunos para os vestibulares do que propriamente dito para o mundo real, do cotidiano, ou seja, despertam pouco, ou quase nenhum interesse dos jovens. Para complementar estas informações, relato aqui a experiência vivenciada pelos educadores do Programa Jovens Urbanos em seu primeiro dia de atividades com a nova turma: Ao dispor as cadeiras em círculos, de modo que os jovens participantes possam se apresentar e assim se conhecerem um aos outros, um dos jovens pede a palavra, e pergunta se "as aulas" serão sempre com esta configuração de cadeiras. Certamente o educador responde que sim, e argumenta o fato de que nesse formato, nós podemos olhar um nos olhos dos outros, e assim trocarmos informações e saberes, e ao longo do período vamos estabelecendo conexões por áreas de interesses. Em resposta o jovem responde: " ...Que legal. Estudo a onze anos, e lá na escola eu nunca sentei desse jeito (formato) com os meus colegas. Os professores nunca permitiram que a gente se sentasse em círculo.

Já foram implantadas mudançasm e em 357 escolas do país, estão sendo aplicados o ensino Médio Inovador, e pelo que se lê na matéria, as ações são semelhantes a experiência adotada na 6ª edição do Programa Jovens Urbanos. Criado e financiado pelo Ministério da Educação, o programa se norteia em quatro(4) eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura. Cada escola elabora o seu plano pedagógico e pode eleger um deles para ser o carro chefe do curso, misturando as demais em atividades complementares que podem ser praticadas inclusive fora da sala de aula, ou até mesmo criarem dinâmicas onde os jovens possam se sentar em círculo - assim esperamos.

Claro que somente o curriculo invador não fará a transformação desejavável. E necessário também re-orientar os professores, para estas novas possibilidades, e não somente isso, mas também melhorar as condições de salário e carga horária, além da necessidade de investimento em infraestrutura, pois as escolas ainda se parecem muito como espaço de reclusão, onde tudo-nada pode, e todo o poder permanece centrado na figura do diretor que manda e desmanda, sem nenhuma perspicácia, ou ao menos, gesto de ouvir os jovens e tratá-los com pessoas, indíviduos e futuros cidadãos que olham para o mundo atual com outros interesses, muito diferente dos professores e diretores. A midia é presente em seu cotidiano, seja no aparelho celular, na internet, na TV, na música, download, etc.etc. Já o mesmo não ocorre com os professores e diretores - na maioria das vezes semi analfabetos digitais. Essa diferença quando constada pelo joven, cria uma zona de desconforto brutal entre aluno professor. E a falta de interesse pelo aluno é latente.
Antonio Carlos Pedro
designer - gestor cultural

terça-feira, 1 de março de 2011

Caminhos da Juventude à Maioridade nas Aldeias do Brasil


lAcabei de ler o texto de Carlos Odas publicado no blogdozedirceu, e me chamou atenção várias passagens e situações inerentes aos temas que estamos trabalhando no Programa Jovens Urbanos nesta 6ª edição. Também penso que o texto abaixo é um bom inicio de debate e discussão entre os nós coordenadores e educadores do Programa Jovens Urbanos.

Carlos Odas - Assessor da Secretaria Nacional de Juventude da Secretaria-Geral da Presidência.

Penso as cidades do meu país como uma miríade de aldeias; e quando penso “aldeia” penso num lugar ao qual se pode pertencer disposto sobre um território que esteja submetido aos interesses da coletividade que nele vive. Aldeia é um chão juncado de sonhos dos que ali estão, germinados para os que virão. A minha aldeia é moderna, tem energia elétrica proveniente da luz do Sol, da força dos ventos, do gás processado do lixo que os próprios aldeões produziram. Nas tabas culturais, chamadas de escola, leciona-se, por meio das mais altas tecnologias, idéias sobre direitos, liberdade e responsabilidade. E a verdade é que as mais altas tecnologias deveriam servir, mesmo, para aproximar-nos da simplicidade do fato de que somos humanos: sabemos falar, cantar, dançar, e somos capazes de sentir prazer dedicando-nos ao bem estar coletivo. Como é óbvio, sei que somos capazes de fazer a guerra também, de matar em nome de determinados interesses; mas como, em geral, a guerra nunca é um interesse coletivo, não a porei entre as possibilidades da minha aldeia. Acontece, o que é mais complexo, que imagino que a política – e, em especial, o que convencionamos chamar de “política pública” – deva constituir o caminho que transita do mundo em que vivemos para aquele no qual queremos viver. Não é justamente o que fomos, no Senegal desta feita, dizer pela undécima vez? Agora, imagine um país de 190 milhões de habitantes onde cada um se sentisse parte – integrada, respeitada, abrigada – de uma aldeia. E como é difícil imaginar uma ocara onde coubesse tanta gente, a imagem que alcanço é a de um sem número de aldeias plantadas no território vasto – e fértil – do meu país.

Há muitas ações de política pública que poderiam – e deveriam – ser invocadas a fim de constituir os fundamentos do que seria esse país com o qual sonho, e com o tipo de desenvolvimento que tento representar em minha pequena fábula de um parágrafo sobre as possíveis aldeias do Brasil. Diante disso é que eu expresso a minha escolha por defender que se faça uma Política Nacional de Juventude dedicada à emancipação dos cidadãos jovens, com vistas a projetar uma nação emancipada por toda a História que nos resta. Em nosso país, somos um conjunto amplíssimo de atores os que vimos, faz tempo já, buscando elementos – e os problematizando – na tentativa de fundar alicerces que justifiquem um olhar mais cuidadoso do Estado para com a relação existente entre o contingente de jovens no país e o processo (ou o projeto) de desenvolvimento nacional; não é uma busca, portanto, de justificativas da necessidade de se fazer (ou de não se fazer) políticas públicas para a juventude.

Começo falando de fábulas de aldeias de sonho porque penso que ainda se pode situar o horizonte da política mais além dos objetivos estratégicos quantificados nas metas físicas das ações governamentais; para pensar o pensável não é preciso alegoria, a técnica basta. Mas muito mais porque do que estamos falando é da oportunidade histórica de fazer política – na acepção mais alta do termo: no campo do simbólico – para a maior geração de jovens que já teve ou terá esse país. Pode-se falar disso sem resvalar na Utopia? Ah, sim, pode-se; mas que utilidade teria? E nesse campo, no entanto, para emprestar ao debate a seriedade que reivindicamos no tratamento dado pelo Governo e pelos partidos a essa temática, há que se levantar também elementos para balanço da nossa atuação conjunta; e o objetivo, é certo, não pode ser o auto-engano.

Quem ousaria dizer, por exemplo, que o campo de esquerda venceu o debate sobre juventude nas eleições presidenciais de 2010? Quem ousaria dizer que elaboramos propostas e que fomos capazes de afirmá-las como síntese ou idéia-força de modo a acessar campos simbólicos, imaginários, sonhos, desejos e o mais da linguagem com que se fala ao eleitorado num processo da importância e dimensão que tem as eleições federais no Brasil? Quem ousaria garantir que fomos ouvidos nos círculos empíreos de onde emanavam as decisões estratégicas de campanha? Quem ousaria negar que o campo simbólico da juventude foi ocupado no 1º turno por uma outra candidatura, a de Marina Silva, e a dificuldade que tivemos para inverter um fluxo caudaloso de migração dos votos de jovens dessa posição para a opção conservadora, no 2º turno?

Numa campanha presidencial, em especial o que se trabalha é a dimensão imagética de propostas que possam ter algum impacto positivo, pois só se fala a milhões de pessoas ao mesmo tempo, e considerando todas as particularidades envolvidas, por meio de imagens. Por sua vez, uma imagem para ser compreendida precisa ter foco. Alguém ousaria dizer qual foi o foco da nossa campanha ao dialogar com um contingente estimado de 52 milhões de brasileiros que são jovens? Com isso sugiro admitir, para melhor avançarmos frente ao desafio de propor estratégias para o engajamento desses brasileiros no projeto de construção de um novo país, que se as eleições de 2010 fossem para eleger o “presidente dos jovens”, nós as teríamos perdido no campo simbólico, que é onde se perde ou se ganha processos como aquele. A prova? É que logo após tivemos – e ainda temos – de lidar com as conseqüências de uma agenda medieval projetada com sucesso pela direita brasileira, e que criminaliza o jovem porque pobre, porque negro, porque homossexual, porque usuário de drogas, porque pais e mães adolescentes.

Esse resultado eleitoral desastroso confrontado com o fato da campanha ter-se ancorado, sobretudo, nos feitos do governo mais popular da história do país e que instituiu, em 2005 – ou seja, há seis anos –, uma Política Nacional de Juventude, deveria aguçar mais ainda a capacidade de autocrítica sem a qual andamos para os lados, e não para frente. O pensamento crítico é matéria da luta que escolhemos, a via socialista constituída por meios democráticos. Devemos sonhar e querer o aparentemente impossível, mas diante de um cenário real é que precisamos projetar o que desejamos, e não sobre o ilusionismo de que “setores” aos quais atingimos mais por contigüidade que por definição de projeto darão conta de sustentar, sem uma cultura de discussão do tema para além dos círculos jovens, um projeto político nítido junto à juventude brasileira; é responsabilidade a mais sobre ombros que já a carregam em demasia.

Portanto, o balanço que proponho de uma perspectiva geral do desenvolvimento da temática de juventude no nosso campo político é: um número significativo de iniciativas governamentais existiu e se consolidou durante os últimos seis anos, todas buscando atender parte da demanda dos jovens por acesso à educação formal e inserção no mercado de trabalho; a esse conjunto denominamos Política Nacional de Juventude. Nenhuma iniciativa de peso, no entanto, vislumbrou esse cidadão em sua perspectiva mais específica, geracional, muito menos observou o fenômeno demográfico da “onda jovem” como oportunidade de um salto na conquista de novos direitos e para a implementação de políticas emancipatórias capazes de romper com os mecanismos que agravam as desigualdades entre uma geração e outra. As ações desenvolvidas são características de política social porque o Governo atendeu às demandas que viu, e a institucionalidade dos partidos que poderia dar coesão a uma pauta da sociedade civil, com especial responsabilidade para o PT, não propôs de modo organizado ou contundente pautas para além das que o Governo, por sua natureza, era capaz de enxergar. É claro que essa constatação não deve eximir de responsabilidades os agentes públicos. Ou, senão, vejamos: perdemos o debate sobre juventude nas eleições de 2010 depois de fazer política para esse segmento durante seis anos, e tal quadro será debitado, mais uma vez, na conta das juventudes partidárias somente? No conjunto dos atores interessados nas políticas de juventude, ousaria dizer que os jovens são os que mais tem proposto avanços e os que tem sido menos escutados.

Um desafio posto, agora, é promover a transição geracional das políticas de juventude no Brasil: transitar de uma primeira geração de políticas – cujo objetivo foi o de atender às demandas sociais por emprego e educação tendo o viés etário como recorte de entrada e saída dos programas –, para uma segunda geração de políticas, de caráter emancipatório, cujo objetivo seja desbloquear as trajetórias juvenis das situações que impedem o desenvolvimento pleno e integral da cidadania. Em suma, é outro o país que queremos, onde o índice de homicídios entre os jovens não freqüente a casa dos 267/100 mil habitantes, onde não se encontrem razões factuais para se falar em extermínio da juventude e onde a evasão no Ensino Médio não freqüente anualmente a casa dos mais de 1,5 milhão de alunos. O crescimento econômico, aliado ao desenvolvimento, e investimentos maciços em educação construirão esse novo país? É provável que sim. Mas o investimento na geração de políticas de caráter emancipatório dirigidas ao maior contingente de jovens que já tivemos ou teremos, além de acelerar esse processo, colocará em perspectiva a possibilidade de construção de um novo modelo de desenvolvimento. A quem abriga bandeiras históricas sob a divisa de que “outro mundo é possível”, não deveria custar tanto acreditar que a maior geração jovem da história pode ajudar a construir um novo país.


Por que insisto nesse ponto? Porque por mais de uma vez, no espaço onde se requeria da imaginação saídas (e não atalhos) para a miséria conceitual a que se reduziram certas políticas chamadas “transversais”, entre elas a de juventude, quase quebramos o nariz em placas que advertiam “não crie demais; não invente demais; mantenha os pés no chão”. Foi assim, por exemplo, quando tratamos da idéia de programas que retirem de parte da população jovem a pressurosa necessidade de ingressar no mercado de trabalho, oferecendo, ao invés, ocupações alternativas (e remuneradas pelo Estado) vinculadas a um maior tempo de formação – agentes culturais ou ambientais comunitários, cuidadores de idosos, etc. Ou quando falamos da necessidade de se discutir uma proposta de jornada de trabalho diferenciada, numa política que articule as necessidades de educação, formação profissional e tempo livre. Ou quando falamos em um grande programa de assistência estudantil para permanência no Ensino Médio que talvez ajudasse a economizar um outro tanto de recursos que serão revertidos futuramente na tentativa de retornar o cidadão evadido à escola que o expulsou. Honestamente, acredito ser preciso desvendar e denunciar que por trás do ceticismo resiliente diante de idéias de novas políticas para esse setor se esconde uma determinada concepção que precisa ser superada, como qualquer preconceito: a idéia de que espaços de juventude – e o espaço da política de juventude – precisam ser tutelados por uma trajetória constituída em um mundo “adulto”, mais “responsável”, portanto.

Por outro lado, um viés tecnocrático tem concebido a visão de que as políticas relacionadas a direitos difusos de segmentos sociais possam – ou devam – ser geridas sob uma única coordenação, uma coordenação das políticas sociais, com um olhar claramente subordinado aos direitos humanos, ainda que não diretamente ligado à essa área. Essa suposta segunda geração de políticas de juventude seria inviável sob esse arranjo. Por quê? Porque estamos falando da necessidade de existir um locus governamental que seja presidido por um olhar geracional sobre as políticas públicas e que execute ações e programas complementares às políticas de Educação, Emprego, Saúde, Esporte, Cultura, Segurança Pública, etc. Sem esse lugar, podemos admitir que abrimos mão de uma política intersetorial e multidisciplinar nessa temática, pois o conceito pode até servir de agulha, mas a linha que costura esse tecido chama-se execução orçamentária. Nesse aspecto e, por fim, é preciso destacar o quão avançado é o modelo que se buscou implementar no Brasil ao longo desses anos. E não confundir as dificuldades de gestão ao se implementar uma agenda nova para o Estado com incapacidade do modelo.

No contexto em que foi concebida a Política Nacional de Juventude, por exemplo, ao PROJOVEM cabia o papel de programa inaugural da temática sob uma visão estrutural de atendimento às demandas dos cidadãos jovens; após ele, viriam outras ações e programas no atendimento de demandas relacionadas a outras áreas que não somente a educação e o emprego, buscando dialogar com as necessidades de todos os jovens brasileiros e não somente com uma parcela deles, ainda que, prioritariamente, se buscasse atender aos mais excluídos. Essa era a concertação existente, num dado momento, entre Governo e sociedade civil. Nenhum outro programa com essa natureza, no entanto, foi concebido e as ações mais bem sucedidas, como o Prouni, os Pontos de Cultura, ou o 2º Tempo, para ficar em alguns exemplos, pouco ou nada tiveram que ver com iniciativas da Secretaria Nacional de Juventude; por seu turno, o PROJOVEM tornou-se um programa educacional. Inferir, desse quadro, que o lugar da temática no Governo deva ser o assessoramento somente e não a execução é tomar um atalho para o início do debate que travamos, lá no início do Governo Lula. É o que eu chamaria de caminhar da juventude à menoridade das políticas públicas.

Na verdade, do ponto de vista institucional, o governo anterior lançou uma plataforma sobre a qual deveríamos avançar com um tanto mais de ousadia. O desenho dessa plataforma inspira-se no que foi proposto pelo Projeto Juventude (Instituto Cidadania, 2004), mas peca ao não permitir à imaginação dos agentes pular a cerca do condomínio do possível para imiscuir-se no jardim das possibilidades, ali, logo à frente dele. E que possibilidades são essas? Vislumbro algumas. Como primeira, a possibilidade de que a temática de juventude, no que concerne à integração das novas gerações ao processo democrático, venha a ser uma área do serviço público, com gestão especializada e recursos orçamentários próprios em todos os níveis; como segunda, e altamente dependente da primeira, que a temática contribua fortemente para um processo de desenvolvimento nacional marcado por participação cidadã e por sustentabilidade presente e futura. E há muitas outras que, advirto, demorarão a parecer exeqüíveis aos que não conseguem imaginar aldeias sobre territórios hoje conflagrados pelas guerras que interrompem trajetórias juvenis.


Vale ainda um parágrafo para apontar alguns caminhos possíveis? Então, lá vai: retomar a formulação dentro do Governo, restabelecendo o Grupo de Trabalho Interministerial seria um bom primeiro passo. Há muito que se avaliar, há sucessos a serem celebrados e ajustes fundamentais a serem feitos. Também, dar início aos arranjos institucionais, estabelecendo parcerias com universidades, agências e órgãos governamentais como o IPEA, para constituição do Observatório Nacional da Juventude; e a partir do Observatório, instituir um “Anuário da Juventude e dos Movimentos e Organizações Juvenis do Brasil” como publicação de referência para os gestores, com indicadores sócio-estatísticos por município, e, além disso, como instrumento de fortalecimento das redes juvenis. Penso, sinceramente, que a ausência de um espaço de sistematização de conhecimento e produção de dados e indicadores próprios é do que mais se ressente, hoje, a Política Nacional de Juventude. Sugerir ao Conselho a promoção de uma rodada do “Pacto Pela Juventude” em torno da mobilização para a 2ª Conferência Nacional de Juventude, capacitando organizações e agentes políticos para compreensão e defesa – em todos os níveis, mas especialmente no nível local – da necessidade de políticas emancipatórias dirigidas aos jovens. Seriam passos iniciais, é claro, mas até a maioridade das políticas de juventude no Brasil não existem atalhos. Cada passo é muito importante, inclusive os que já foram dados. Não retroceder é que é imperativo nesse caminho de semear, por meio da ação com a juventude, novas aldeias no território do Brasil.

Texto publicado orginalmente no blogdo zédirceu.

Carlos Odas foi Secretário Nacional de Juventude do PT (1999/2001), Conselheiro do Instituto Cidadania e um dos coordenadores do Projeto Juventude (2004). É Assessor da Secretaria Nacional de Juventude da Secretaria-Geral da Presidência.